🎬 EPISÓDIO 1 – Descubra os Sinais

Minha querida tribo neurodivergente, decidi começar falando sobre coisas simples do dia a dia, mas que muitas vezes geram dúvidas, julgamentos ou preocupações. Meu objetivo aqui é compartilhar experiências reais, dar informações práticas e acolher quem se reconhece ou convive com pessoas autistas.

Autismo não é apenas um conjunto de comportamentos diferentes. Muitas atitudes que parecem “estranhas” ou “desafiadoras” são, na verdade, formas de lidar com o mundo, de autorregulação e de buscar prazer ou conforto

Andar nas pontas dos pés: quando o corpo fala antes da mente

Quando estou sobrecarregada emocionalmente, é comum andar nas pontas dos pés. Parece estranho? Talvez. Mas é muito comum no autismo, tanto em crianças quanto em adultos.

Por que acontece?

Andar nas pontas dos pés ajuda a:
• Reduzir a tensão interna: gera uma sensação de alerta e organização do corpo.
• Manter foco interno: filtra estímulos externos e ajuda a pessoa a se concentrar em si mesma.
• Expressar emoção de forma não verbal: quando não sabemos como explicar o que sentimos, o corpo fala por nós.

Esse comportamento é uma estratégia de regulação sensorial, que ajuda a lidar com sobrecarga emocional e sensorial.

Como identificar?

Se você observa alguém andando nas pontas dos pés, considere:
• A pessoa estava emocionalmente sobrecarregada?
• Há outros sinais de regulação sensorial, como balançar o corpo, morder objetos ou estalar os dedos?
• O comportamento aparece em momentos de estresse ou mudança de rotina?

Dica prática: em vez de repreender, ofereça um ambiente seguro e acolhedor, permitindo que a pessoa se autorregule.

Esquecer de comer ou beber água: sobrecarga emocional real

Outro comportamento comum é ficar horas sem comer ou beber água, especialmente durante momentos de choro, irritação ou sobrecarga emocional.

Por que acontece?

O cérebro autista processa o mundo de forma intensa:
• Multiplas informações chegam ao mesmo tempo (sons, luzes, emoções).
• O corpo envia sinais de fome ou sede, mas o cérebro está ocupado demais processando estímulos.
• Só depois de um pico emocional a pessoa percebe que precisa se alimentar ou hidratar.

Como lidar?

Se você convive com alguém que esquece de comer ou beber:
• Ofereça lembretes gentis: “Vamos tomar água agora?”
• Crie rotinas visuais: horários de alimentação e hidratação, alarmes ou aplicativos.
• Não julgue: lembre-se de que o esquecimento não é intencional.

Sugestão de imagem: ilustração de uma criança com um copo d’água e um lembrete visual colorido

Cheirar a comida e bater palmas: prazer sensorial autêntico

Uma das partes mais lindas do vídeo é quando falo sobre cheirar a comida antes de comer e bater palmas de alegria.

O que isso significa?

Para muitas pessoas autistas, comer é uma experiência sensorial completa, envolvendo:
• Olfato: sentir o cheiro da comida ativa memória e prazer.
• Tato: texturas diferentes ajudam na organização sensorial.
• Movimentos corporais: bater palmas ou gesticular aumenta a sensação de alegria e regulação emocional.

Como reconhecer?

Você pode notar que seu filho ou alguém próximo:
• Sorri ou se movimenta quando vê comida que gosta.
• Tem rituais antes de começar a refeição (cheirar, tocar, arrumar a comida).
• Fica mais calmo(a) ou contente após esses gestos.

Por que é importante?

Permitir essas experiências sensoriais ajuda a:
• Aumentar o prazer na refeição.
• Reduzir ansiedade e estresse.
• Fortalecer a conexão com o momento presente.

Sugestão de imagem: criança batendo palmas animadamente na frente de uma refeição colorida.

Dormir muito depois de socializar: exaustão real

Outro ponto abordado no vídeo é a necessidade de dormir profundamente após socializar.

Por que socializar é cansativo?

Para pessoas autistas, socializar exige energia porque o cérebro precisa:
• Processar expressões faciais e tons de voz.
• Interpretar intenções e contextos.
• Filtrar estímulos sensoriais como luz, barulho e toque.
• Lidar com ansiedade social.

Como apoiar?

• Respeite o tempo de recuperação após eventos sociais.
• Ofereça ambientes calmos e silenciosos para descanso.
• Evite pressionar para socializar imediatamente após atividades intensas.

Pouca gente sabe: combatendo o julgamento

O que torna esses comportamentos tão mal compreendidos é a falta de informação.

Muitas vezes, são interpretados como:
• Birra
• Preguiça
• Desrespeito

Quando, na verdade, são formas de autorregulação emocional, sensorial e cognitiva.

Este post e o vídeo nascem para traduzir o invisível, mostrando que cada gesto tem significado e propósito.

Reconhecendo-se ou reconhecendo seu filho

Se você se reconhece em mim ou reconhece seu filho, saiba que:
• Andar nas pontas dos pés não é birra; é regulação.
• Esquecer de comer ou beber água não é desleixo; é sobrecarga emocional.
• Cheirar a comida e bater palmas não é exagero; é prazer sensorial.
• Dormir muito depois de socializar não é preguiça; é exaustão real.

Reconhecer isso transforma frustração em empatia, compreensão e acolhimento.

Estratégias práticas para o dia a dia
1. Observação sem julgamento: tente entender o motivo do comportamento antes de corrigir.
2. Rotina visual e lembretes: horários de alimentação, hidratação e descanso ajudam a prevenir sobrecarga.
3. Permitir rituais sensoriais: reforça prazer e autorregulação.
4. Tempo de recuperação social: respeite a necessidade de descanso.
5. Educar e compartilhar conhecimento: explique familiares, professores e cuidadores sobre essas estratégias.

Considerações finais

Este é apenas o primeiro episódio, mas já é um passo enorme para:
• Reconhecer comportamentos autistas comuns.
• Entender que eles têm função e significado.
• Transformar julgamento em compreensão e acolhimento.

Se você convive com pessoas autistas, veja além do comportamento e enxergue a humanidade, inteligência e sensibilidade que existe em cada gesto.

Pouca gente sabe, mas é comum no autismo.
E saber transforma.

Hellen Ramos

💛

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2 comentários em “🎬 EPISÓDIO 1 – Descubra os Sinais”

  1. O autismo vai muito além do que é visível. Muitos comportamentos que parecem estranhos para quem observa são, na verdade, formas de autorregulação e de lidar com o excesso de estímulos. Entender isso é um passo importante para reduzir julgamentos e aumentar o acolhimento.

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