🎬 EPISÓDIO 31 – 🧠 Coisas que parecem “estranhas”… mas são formas de autorregulação no Autismo

Pessoa neurodivergente caminhando em um parque para regular emoções e reduzir sobrecarga sensorial após interações sociais intensas.

Olá, Tribo Neurodiversa.

Alguns comportamentos de pessoas autistas são vistos como:

“preguiça”
“mania”
“drama”
“dependência”

Mas muitas vezes são estratégias do próprio cérebro para sobreviver ao excesso de estímulos e emoções.

Hoje vamos falar de algumas delas.

Talvez você se reconheça.
Talvez reconheça seu filho.
Talvez reconheça um aluno.


🚽 Esquecer de fazer xixi ou cocô

Sim. Isso acontece com muitos autistas e pessoas com TDAH.

O motivo está ligado à interocepção, que é a capacidade do cérebro perceber sinais internos do corpo.

Alguns neurodivergentes têm dificuldade em perceber sinais como:

  • fome
  • sede
  • sono
  • vontade de ir ao banheiro

Ou percebem tarde demais.

Quando estão em hiperfoco, o cérebro simplesmente ignora esses sinais.

Exemplo comum

Uma criança autista pode:

  • passar horas jogando ou desenhando
  • começar a se mexer muito na cadeira
  • ficar irritada

E só então perceber que precisava ir ao banheiro há muito tempo.

Adultos também passam por isso.

Às vezes percebem apenas quando já estão com muita urgência.

Ferramentas que ajudam

✔ Colocar alarmes no celular de 2 em 2 ou 3 em 3 horas
✔ Professores podem sugerir pausas programadas para banheiro
✔ Pais podem perguntar de forma neutra:
“Você já foi ao banheiro hoje?”
✔ Criar rotinas fixas (ao acordar, antes de sair, antes de dormir)

Isso não é regressão.

É adaptação neurológica.


🐶 Ter um pet de apoio emocional

Muitos autistas criam vínculos profundos com animais.

Cães, gatos e outros pets oferecem algo que o cérebro autista valoriza muito:

Previsibilidade.

O animal:

  • não julga
  • não usa sarcasmo
  • não faz jogos sociais complexos

Ele é direto.

E isso gera segurança emocional.

Exemplo

Uma criança que teve um dia difícil na escola pode chegar em casa e:

  • abraçar o cachorro
  • deitar ao lado do gato
  • conversar com o pet

O corpo libera ocitocina, o hormônio do vínculo e do conforto.

Isso reduz ansiedade e estresse.

Ferramentas terapêuticas

Animais podem ajudar em:

  • crises sensoriais
  • solidão
  • regulação emocional
  • rotina diária

Por isso existem cães de apoio emocional e cães de assistência para autistas.


🧠 Precisar ficar sozinho depois de interação social

Para muitas pessoas autistas, socializar é como correr uma maratona.

Mesmo quando gostam da companhia.

Porque o cérebro precisa processar:

  • expressões faciais
  • linguagem corporal
  • tom de voz
  • regras sociais implícitas

Isso consome muita energia cognitiva.

Exemplo

Uma criança pode voltar da escola e:

  • ir direto para o quarto
  • não querer conversar
  • ficar quieta com um tablet ou livro

Isso não significa que ela está triste.

Ela está recarregando o sistema nervoso.

Adultos fazem o mesmo após reuniões, festas ou trabalho.

O erro comum

Pais ou parceiros dizem:

“Você acabou de chegar e já vai se trancar no quarto?”

Mas na verdade aquilo é autocuidado neurológico.

Ferramenta importante

Criar o que chamamos de:

Tempo de descompressão social

20 minutos
30 minutos
1 hora

Sem exigências sociais.


📱 Objetos de apoio emocional (tablet, fones, objetos específicos)

Muitas pessoas autistas usam objetos que funcionam como âncoras de segurança.

Podem ser:

  • tablet
  • celular
  • fones
  • brinquedos específicos
  • pelúcias
  • livros favoritos

Esses objetos ajudam o cérebro a:

  • reduzir estímulos externos
  • focar em algo previsível
  • se regular emocionalmente

Exemplo

Em um ambiente caótico, uma criança pode:

colocar fones
abrir um jogo repetitivo
assistir o mesmo vídeo

Isso não é “vício”.

É regulação sensorial.


🌿 Necessidade de aterramento na natureza

A natureza oferece algo que o cérebro autista precisa muito:

estímulos previsíveis e não invasivos.

O vento nas folhas
o som da água
o cheiro da terra
o ritmo das ondas

Esses estímulos são reguladores do sistema nervoso.

Exemplo

Depois de um dia difícil, muitas pessoas autistas sentem vontade de:

  • caminhar em um parque
  • sentar na grama
  • olhar o mar
  • tocar em árvores ou pedras

Isso ajuda o cérebro a sair do estado de alerta.


🚶 Necessidade de caminhar para “desintoxicar” o cérebro

Muitos autistas sentem uma necessidade física de andar muito depois de dias intensos.

Caminhar ajuda o cérebro a:

  • organizar pensamentos
  • reduzir ansiedade
  • liberar tensão acumulada
  • regular emoções

É uma forma natural de autorregulação neurológica.

Exemplo

Depois de uma reunião difícil ou um dia escolar pesado, a pessoa pode sentir vontade de:

andar sem destino
dar voltas no quarteirão
caminhar no parque

Durante a caminhada o cérebro reorganiza as experiências do dia.


🧠 Para pais, professores e profissionais

Quando você vê esses comportamentos, não pergunte:

“Por que ele é assim?”

Pergunte:

“O que o cérebro dele está tentando regular?”

A maioria desses comportamentos não é problema.

São estratégias naturais de sobrevivência neurológica.


💛 Para você, Tribo Neurodiversa

Se você:

  • esquece de ir ao banheiro
  • precisa ficar sozinho depois de socializar
  • se acalma com seu pet
  • precisa caminhar ou ir para a natureza

Seu cérebro está apenas tentando encontrar equilíbrio em um mundo muito estimulante.

E isso é válido.

🎥 Este episódio se conecta ao vídeo onde mostro exatamente essas vivências reais. Segue o link:

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