
Olá, Tribo Neurodiversa.
Alguns comportamentos de pessoas autistas são vistos como:
“preguiça”
“mania”
“drama”
“dependência”
Mas muitas vezes são estratégias do próprio cérebro para sobreviver ao excesso de estímulos e emoções.
Hoje vamos falar de algumas delas.
Talvez você se reconheça.
Talvez reconheça seu filho.
Talvez reconheça um aluno.
🚽 Esquecer de fazer xixi ou cocô
Sim. Isso acontece com muitos autistas e pessoas com TDAH.
O motivo está ligado à interocepção, que é a capacidade do cérebro perceber sinais internos do corpo.
Alguns neurodivergentes têm dificuldade em perceber sinais como:
- fome
- sede
- sono
- vontade de ir ao banheiro
Ou percebem tarde demais.
Quando estão em hiperfoco, o cérebro simplesmente ignora esses sinais.
Exemplo comum
Uma criança autista pode:
- passar horas jogando ou desenhando
- começar a se mexer muito na cadeira
- ficar irritada
E só então perceber que precisava ir ao banheiro há muito tempo.
Adultos também passam por isso.
Às vezes percebem apenas quando já estão com muita urgência.
Ferramentas que ajudam
✔ Colocar alarmes no celular de 2 em 2 ou 3 em 3 horas
✔ Professores podem sugerir pausas programadas para banheiro
✔ Pais podem perguntar de forma neutra:
“Você já foi ao banheiro hoje?”
✔ Criar rotinas fixas (ao acordar, antes de sair, antes de dormir)
Isso não é regressão.
É adaptação neurológica.
🐶 Ter um pet de apoio emocional
Muitos autistas criam vínculos profundos com animais.
Cães, gatos e outros pets oferecem algo que o cérebro autista valoriza muito:
Previsibilidade.
O animal:
- não julga
- não usa sarcasmo
- não faz jogos sociais complexos
Ele é direto.
E isso gera segurança emocional.
Exemplo
Uma criança que teve um dia difícil na escola pode chegar em casa e:
- abraçar o cachorro
- deitar ao lado do gato
- conversar com o pet
O corpo libera ocitocina, o hormônio do vínculo e do conforto.
Isso reduz ansiedade e estresse.
Ferramentas terapêuticas
Animais podem ajudar em:
- crises sensoriais
- solidão
- regulação emocional
- rotina diária
Por isso existem cães de apoio emocional e cães de assistência para autistas.
🧠 Precisar ficar sozinho depois de interação social
Para muitas pessoas autistas, socializar é como correr uma maratona.
Mesmo quando gostam da companhia.
Porque o cérebro precisa processar:
- expressões faciais
- linguagem corporal
- tom de voz
- regras sociais implícitas
Isso consome muita energia cognitiva.
Exemplo
Uma criança pode voltar da escola e:
- ir direto para o quarto
- não querer conversar
- ficar quieta com um tablet ou livro
Isso não significa que ela está triste.
Ela está recarregando o sistema nervoso.
Adultos fazem o mesmo após reuniões, festas ou trabalho.
O erro comum
Pais ou parceiros dizem:
“Você acabou de chegar e já vai se trancar no quarto?”
Mas na verdade aquilo é autocuidado neurológico.
Ferramenta importante
Criar o que chamamos de:
Tempo de descompressão social
20 minutos
30 minutos
1 hora
Sem exigências sociais.
📱 Objetos de apoio emocional (tablet, fones, objetos específicos)
Muitas pessoas autistas usam objetos que funcionam como âncoras de segurança.
Podem ser:
- tablet
- celular
- fones
- brinquedos específicos
- pelúcias
- livros favoritos
Esses objetos ajudam o cérebro a:
- reduzir estímulos externos
- focar em algo previsível
- se regular emocionalmente
Exemplo
Em um ambiente caótico, uma criança pode:
colocar fones
abrir um jogo repetitivo
assistir o mesmo vídeo
Isso não é “vício”.
É regulação sensorial.
🌿 Necessidade de aterramento na natureza
A natureza oferece algo que o cérebro autista precisa muito:
estímulos previsíveis e não invasivos.
O vento nas folhas
o som da água
o cheiro da terra
o ritmo das ondas
Esses estímulos são reguladores do sistema nervoso.
Exemplo
Depois de um dia difícil, muitas pessoas autistas sentem vontade de:
- caminhar em um parque
- sentar na grama
- olhar o mar
- tocar em árvores ou pedras
Isso ajuda o cérebro a sair do estado de alerta.
🚶 Necessidade de caminhar para “desintoxicar” o cérebro
Muitos autistas sentem uma necessidade física de andar muito depois de dias intensos.
Caminhar ajuda o cérebro a:
- organizar pensamentos
- reduzir ansiedade
- liberar tensão acumulada
- regular emoções
É uma forma natural de autorregulação neurológica.
Exemplo
Depois de uma reunião difícil ou um dia escolar pesado, a pessoa pode sentir vontade de:
andar sem destino
dar voltas no quarteirão
caminhar no parque
Durante a caminhada o cérebro reorganiza as experiências do dia.
🧠 Para pais, professores e profissionais
Quando você vê esses comportamentos, não pergunte:
“Por que ele é assim?”
Pergunte:
“O que o cérebro dele está tentando regular?”
A maioria desses comportamentos não é problema.
São estratégias naturais de sobrevivência neurológica.
💛 Para você, Tribo Neurodiversa
Se você:
- esquece de ir ao banheiro
- precisa ficar sozinho depois de socializar
- se acalma com seu pet
- precisa caminhar ou ir para a natureza
Seu cérebro está apenas tentando encontrar equilíbrio em um mundo muito estimulante.
E isso é válido.
🎥 Este episódio se conecta ao vídeo onde mostro exatamente essas vivências reais. Segue o link:
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